Cristã

25/10/2013 19:27
Um desabafo, apenas...
O que é ser cristão, hoje em dia?
   Sinto-me enojada e doente com a perfacidade que hoje assola a minha tão amada Igreja. Isso porque não a amo em sua forma física, mas sim por enxergar além de seus panos, nomes e rituais. É bem verdade que a religião passa a ser falha, quando os homens por trás dela se tornam e permanecem falhos, mas eu acredito que a beleza de servir a DEUS está na imensa capacidade de que com todas as nossas falhas, Ele nos admira, ama aceita, nos permite errar, sermos perseguidos, sofrer...
   DEUS, o fato é que, sim, ele é onipresente, onisciente e onipotente, mas também é Pai, e a composição de todo pai é simples, seu desejo é que sejamos cercados de todo amor e proteção, ELE reconhece sabiamente que a vida, a dureza dela, se torna moldadoras fiéis de caráter, e por mais que isso lhe doa, Ele compreende que somos como diamantes a serem lapidados, é preciso machucar, polir, lapidar, e como PAI, ele sofre conosco, permite-nos experimentar e conhecer a dos, mas sempre, indubitavelmente, nos instiga a certeza que seus braços sempre abertos permanecem, para qualquer ameaça de tombo.
   Sugiro o seguinte questionamento: ”Se um filho ou sobrinho muito querido lhe disser que deseja andar de bicicleta, qual a sua posição, o deixará? Se o deixar, provavelmente lhe avisará sobre todos os perigos, solicitar que tome as devidas precauções... Mas e se, na primeira tentativa, ele cair e se machucar? O que você fará? O seu medo será tão grande que o proibirá, para que não mais se fira? Ou incentivará que tente mais uma vez, passando por cima de sua dor e seu medo, agora com um pouco mais de cuidado... Então, o que fará?”
   Não tenho todas as respostas do mundo, e nem sonho em conhecer todas as perguntas, mas na minha imaginação, ou infantilidade, creio que é mais ou menos assim que DEUS gosta de agir, nos deixa “andar de bicicleta”, e quando caímos, ele não nos proíbe, pede que tenhamos calma, que passemos a ir devagar, com mais cuidado.
   Ao olhar um sacerdote, qual a impressão que você tem? Um homem vestindo roupas esquisitas e falando meia dúzia de abobrinhas sobre coisas que ocorreram em um passado remoto? Desculpe, eu tenho uma visão um pouco diferente. Quando vejo um sacerdote, sinto que ele é uma alma fraca e nobre, (contraditório? Talvez.), pois dentro de suas limitações, falhas e fraquezas, tentam o melhor que podem unicamente por seu DEUS, não julga, e sim compreende; não condena, e sim perdoa; não aponta; e sim escuta; não se vinga, pelo contrário, ensina; não odeia, e sim, ama; não magoa, e sim acalenta.
   São humanos e ambíguos, almas tão frágeis, como a chama de uma vela, que com um sopro se extingue, mas que com a mesma facilidade que se apaga, é capaz de iluminar a escuridão mais tenebrosa. Um vocacionado é uma chama que queima para iluminar e aquecer, era nisso que eu pensava, pelo menos.
   Hoje, ser cristão não está em freqüentar todas as missas e cultos, conhecer e memorizar textos bíblicos ou orações, ah, não! Creio que ser cristão de verdade está em viver e compartilhar o que está na Bíblia, cair e voltar a levantar quantas vezes forem necessárias, melhorar um pouco e cada dia mais, errar, mas errar muito, viver uma fé de maneira plena, ainda que muitas das vezes as velas que deveriam guiar-me, acabem por queimar-me e doa, simplesmente, sorrir. Viver e lutar, nunca pisar. Nas Sagradas Escrituras há algo como: “Quem de vós não tiver pecado, que atire a primeira pedra.”
    Talvez eu não conheça nada, ou insista na ingenuidade de criança que quando escrevo preservo, mas a verdade é que a visão que tenho de um Padre, ou um chefe espiritual, é antes de muita coisa, uma espécie de pai, uma nesga de Cristo para guiar o rebanho. Mas se o próprio Cristo prega amor, perdão, misericórdia, humildade, eu não consigo acreditar que qualquer pessoa possa ter o direito de julgar alguém, ou condenar, sendo do clero ou não.
   Em tempos que muitos se perdem no meio do caos, da violência, quando se faz mais e mais necessária a presença e força do cristianismo, percebo que os pilares por tantos anos construídos em minha Igreja ruindo em meio a sentimentos mesquinhos, guerrinhas de interesse, políticas escusas e que apenas interferem sem em nada contribuir com a sua intencionalidade no mundo. A fé, o amor, a paz de espírito, a tolerância, a misericórdia, o perdão, a bondade, são subjugadas por  inveja, cobiça, ódio, fofoca, condenação, injustiça, ingratidão...
    E o que mais me fere é saber que dentro da minha IGREJA, seus próprios filhos, seus chefes, se adéquam às políticas mundanas, aceitam fofocas, julgam e condenam, se transformam em júri e juiz, e ao fazerem isso não se dão conta que algumas almas se perdem. Almas que desejavam ser recolhidas e procuram na Igreja uma mãe que os acolha, e em vez disso são friamente rechaçados, e com a mágoa, se voltam contra ela.
  Aos meus queridos Padres, Pastores e Ministros, aos que tanto amo, pais, amigos e irmãos, rogo lhes que revejam em todos os momentos suas condutas, existem almas tão precárias de amor, com o julgo e condenação que sofreram, até mesmos de vós, que se afastam, e se tornam um prato cheio para os pecados cultivados pelo maligno.
   Caríssimo, ainda há tempo, se em algum momento deixaste ser influenciado por fofocas, não o julgarei, apenas lhe peço que tenha em mente que a verdade é dúbia, ao escutar algo, procure ter isto em seu coração e mente, não permitas que tuas limitações humanas te afastem ou impeçam sua verdadeira missão, as conseqüências podem vir a ser terríveis e irreversíveis tais qual falar à uma criança que sonhos são impossíveis, pense, não seria trágico se ela acreditasse nisso?
    Existem pessoas que trabalham na Igreja por gostarem, se sentem bem e em paz sendo úteis, claro que existem aquelas que se felicitam por terem encontrado em seu serviço um sentido para sua vida, a escolha de uma Missão, seu serviço faz parte de sua alma, é o que a impede de quebrar, a metade que lhe traz humanidade, faz parte de seu ser, de sua história, não há meios de separar, importante demais, um símbolo físico para sua fé, não é uma posição ou roupa, é algo mais espiritual, sentimental, é o seu pedaço divino, não existem formas para definir, é como o RUÁ*, profundo como sopro divino.
   Há pessoas que escrevem como respiram, é algo que fazem com tanta naturalidade que nunca lhe parece um fardo. Nossa Igreja é como um corpo, cheia de todos os tipos, vários membros, e cada qual com sua função, não é isso?
   Caro leitor, gosto de utilizar algumas comparações bem toscas, é verdade, portanto se não lhe agrada, me desculpe, mas o fim está próximo. “Utilizas suas duas mãos, seus dez dedos, em uma série de atividades que desempenha no dia a dia, correto?Eles se fazem necessários, cada qual com sua limitação e singularidade, nenhum é mais ou menos que o outro, todos lhe são muito caros...Agora, se assim, do nada lhe tiram sua mão direita, por uma história mal contada, por uma série de mal entendidos, alguém em quem confiava e tinha em grande estima sem ao menos lhe escutar, decide isso. Qual sua reação? Revolta? Mágoa?”
   Com a minha Igreja eu aprendi a ser cristã, não fazer ao outro, ou pelo menos tentar, o que não quero que me seja feito. Aprendi a escutar, ao invés de julgar , me colocar na situação do meu irmão. E você leitor? O que pode dizer que aprendeu? Pois ser cristão é isso. Aprender e continuar aprendendo, todo dia e cada dia mais.
 
 
Apenas uma criança, Viviane Costanza Batalha